quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Livro de Geotecnia Ambiental

Marcos Tanaka Riyis, Diretor Técnico da ECD, é um dos autores de um capítulo do livro recém lançado pela Editora Elsevier chamado "Geotecnia Ambiental".
Voltado para alunos de Graduação e Pós Graduação em Geologia, Engenharia Civil, Engenharia Ambiental e áreas correlatas, o livro é bem completo e certamente irá auxiliar os estudantes que pretendam conhecer melhor o vasto e multidisciplinar campo da Geotecnia Ambiental.
Para a ECD é mais um motivo de orgulho ser convidada a contribuir com esse projeto, Coordenado pelo Professor Doutor Lázaro Zuquette, da USP-São Carlos, e particularmente da elaboração do  Capítulo 2, dedicado à Investigação Geoambiental, em conjunto com os Professores Doutores Heraldo Luiz Giacheti, da FEB/UNESP e Vagner Roberto Elis, da USP.
A ECD mais uma vez se diferencia, mostrando que é muito mais que uma empresa executora de serviços, mas sim, aquela que busca a melhor solução para a coleta de dados geoambientais.
Quem quiser conhecer melhor o livro, é só acessar o site da Editora. Boa leitura.




quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ECD auxilia aula de Geologia realizando amostragens de solo

A ECD, no mês de agosto/2015, mais uma vez auxilia os alunos e docentes do Curso de Pós Graduação em Gerenciamento de Áreas Contaminadas do SENAC
Diferente da participação nas demais aulas (por exemplo, essas de 2015 e 2014), que foram realizadas nas aulas de Técnicas de Investigação de Áreas Contaminadas, desta vez, a atividade da ECD foi na aula de Geologia e Pedologia, a 1a disciplina dos alunos ingressantes, executando amostragens de solo, o que foi particularmente proveitoso, pois eles já puderam ter uma experiência prática com uma importante atividade executada com a melhor abordagem possível logo no início do curso, criando um diferencial positivo para o curso.
Seguindo as diretrizes já amplamente divulgadas pela ECD em muitos textos como esse, as amostragens de solo foram realizadas na zona saturada até o limite dos equipamentos ou de recuperação de amostras. Como ferramentas, foram utilizados o Dual Tube e o Piston Sampler (maiores informações sobre as metodologias aqui)
As amostras foram coletadas na sexta-feira e no sábado pela manhã, e os alunos, na aula propriamente dita realizada no sábado à tarde, puderam observar, manipular e descrever o material coletado com a orientação e supervisão da responsável pela disciplina, a professora Doutora Annabel Perez Aguilar , pesquisadora do Instituto Geológico (IG), do Coordenador do curso, o professor Doutor Rodrigo Cunha, do Diretor Técnico da ECD, Marcos Tanaka Riyis, e do experiente Geólogo Marcos Araújo, ex-aluno do curso de Remediação de Áreas Contaminadas do SENAC.
Os alunos tiveram a oportunidade de: observar uma amostragem de solo em uma situação pouco favorável (solo arenoso saturado muito heterogêneo); verificar que a heterogeneidade do meio físico é muito grande e precisa ser plenamente entendida para que as etapas subsequentes do processo de investigação (por exemplo, a instalação de poços de monitoramento) sejam adequadas; visualizar e sentir as diferentes cores, minerais e texturas que formam o manto de alteração no site; subsidiar a elaboração de perfis estratigráficos e seções geológicas que serão a base de um modelo conceitual mínimo.
Para a ECD, além do prazer em colaborar com a formação dos profissionais que já atuam no nosso mercado e com esse importante curso, foi mais uma oportunidade para propagar a nossa mensagem: "Amostrai o Solo e Terás um Bom Modelo Conceitual..."


Sonda posicionada, ferramentas arrumadas, iniciando o pré-furo manual de segurança

 Avaliação do material coletado no pré-furo

Retirada das hastes externas do Dual Tube após amostragem

Avaliação Tátil-Visual do perfil, em detalhe


Preparação das ferramentas Dual Tube para novo ponto

Amostras arrumadas, prontas para a descrição na aula

Sonda posicionada para iniciar amostragem com Dual Tube


 Sonda posicionada para iniciar amostragem com Dual Tube

Dificuldade na recuperação de amostras devido ao pre-heave exigiu mudança para Piston Sampler

Amostra de areia saturada totalmente recuperada, graças ao uso do Piston Sampler com core catcher

2o dia de amostragem, agora com a sonda AMS-Power Probe 9100-ATV

Pré-furo manual de segurança no 7o ponto de amostragem


Turma observando atentamente à amostragem Dual Tube executada pela ECD


Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo

Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo

Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo, com orientação da professora

Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo


Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo

Alunos realizando a descrição tátil-visual das amostras de solo

 Power Probe 9100-ATV executando amostragem de solo Dual Tube 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Eu preciso amostrar o solo na zona saturada?


A ideia central desse texto foi publicada originalmente na  Revista Pollution Engineering Brasil em maio/2014, mas, de lá para cá, outras questões importantes surgiram em conversas, trabalhos e aulas que participamos, e essas questões precisam ser debatidas adequadamente.
Começaremos pela resposta: Objetivamente, Sim, você precisa amostrar o solo na zona saturada!!!!!!!
Se você não faz isso, seu modelo conceitual provavelmente terá inconsistências, você não conseguirá estimar a massa do eventual contaminante, seu plano de intervenção terá muita probabilidade de estar errado, sua remediação será ineficiente ou cara e você não estará seguindo as recomendações, procedimentos e normas nacionais e internacionais. 
Infelizmente, essa atividade raramente é realizada durante as etapas de investigação de áreas contaminadas, um pouco por causa dos custos, mas principalmente por causa dos “dogmas” estabelecidos no nosso mercado, que dizem “não ser necessária a amostragem de solo na zona saturada”. O nosso objetivo com essa série de textos é começar a mostrar que esses dogmas estão errados.
No decorrer das próximas postagens, vamos tentar expor a fundamentação dessa premissa, bem como as maneiras e ferramentas mais adequadas para efetuar essa amostragem de solo na zona saturada.
Começaremos pela base de tudo: como amostrar o solo na zona saturada?

Amostragem de Solo – Parte 1: Como Fazer?
Vamos iniciar as respostas ao "dogma" expondo a principal metodologia, dentro do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), para coletar amostras de solo: a cravação contínua, ou Direct Push, utilizando o amostrador tubular de PEAD ou PVC denominado liner, por ser essa a forma mais representativa disponível no Brasil de se coletar amostras de solo em profundidades médias a grandes. 
Trataremos dessa metodologia porque as outras comumente utilizadas no Brasil são inadequadas: por exemplo, coletar solo no Trado manual não é representativo em escala de detalhe e é proibido pelas normas se o objetivo é realizar análises químicas de compostos voláteis (VOC) ou semivoláteis (SVOC). Outra metodologia utilizada com frequência é coletar solo nos helicoides (aletas dos espirais) dos trados ocos ou sólidos. Isso é totalmente fora de propósito porque a amostra não é de maneira nenhuma representativa da profundidade, e a trajetória que a amostra faz de seu local de origem para a superfície é muito longa e irregular, causando perdas ou modificações nos analitos.

A amostragem Direct Push pode ser realizada de três formas: Single Tube, Dual Tube ou Piston Sampler.
Single Tube, ou amostrador de tubo único, é a modalidade que coleta amostras e deixa o furo de sondagem aberto. É a mais simples, porém, só consegue coletar amostras representativas em condições extremamente favoráveis, pois, com ela, pode facilmente ocorrer o desmoronamento do furo e consequentemente, mistura de material de diferentes profundidades (traduzindo: amostras não representativas). O Single Tube pode ser utilizado concomitantemente com a sondagem com os trados ocos helicoidais (Hollow Stem Auger), o que reduz um pouco essa limitação, uma vez que os trados ocos revestem o furo, dificultando a entrada no amostrador de solo que não pertence ao local



 Amostragem de Solo Direct Push - Single Tube. Pode ser feita concomitantemente com a perfuração com trados ocos helicoidais (Hollow Stem Auger)


A segunda forma para se revestir o furo é o uso do Dual Tube, ferramenta que ao mesmo tempo possibilita a coleta de amostras pelo tubo interno e reveste o furo com o tubo externo. É mais eficiente que o Single Tube + Hollow Stem Auger porque é mais rápido, gera menos resíduo e reveste integralmente o furo de sondagem, mas tem a desvantagem de sofrer mais atrito lateral, portanto, é mais difícil executar a cravação. Porém, se o equipamento for capaz de superar essa dificuldade com o atrito lateral, é uma excelente ferramenta para a coleta de amostras representativas de solo em subsuperfície, particularmente na zona saturada. Abaixo algumas imagens do ferramental Dual Tube em uso. As imagens são das ferramentas fabricadas pela AMS Samplers Inc e diferem um pouco das ferramentas fabricadas pela Geoprobe, mas o princípio é o mesmo.

 Hastes internas do Dual Tube acopladas ao liner sendo recolocadas nas hastes externas (revestimento)


 Retentor de amostras (core catcher) acoplado ao liner, um detalhe fundamental para recuperação de amostras na zona saturada e/ou em areia

Detalhe da sonda e do ferramental Dual Tube , bem como acessórios, que são exclusivos da AMS


Amostragem Dual Tube sendo efetuada

 Diferencial da ECD, obtido através do treinamento ministrado pela AMS: a preparação e manutenção das hastes do Dual Tube é parte essencial do trabalho. Sem isso, o ferramental perde sua utilidade
 
 Organização das ferramentas Dual Tube : liners especiais acoplados com os core catchers

 Detalhe da parte superior da Haste externa (revestimento) do Dual Tube com liner e peças auxiliares

  Detalhe da parte inferior da Haste externa (revestimento) do Dual Tube com liner e sapata especial de amostragem


Porém, nenhuma das duas formas descritas anteriormente combate o fenômeno do “pre-heave”, ou seja, a migração de material por baixo do revestimento devido à ação da água em solo arenoso saturado, que impossibilitaria a coleta de amostra do ponto imediatamente abaixo de onde esse fenômeno ocorreu.
A melhor (em muitos casos, a única) forma de coletar amostras representativas na zona saturada e, ao mesmo tempo, possibilitar a recuperação dessas amostras, é utilizar o amostrador de pistão (Piston Sampler) com core catchers (recuperadores de amostra, também chamados de molas-cesto ou "aranha"). O Piston Sampler consiste em cravar o tubo de amostragem fechado até a profundidade em que se pretende iniciar a amostragem. Chegando nessa profundidade, abre-se o amostrador e coleta-se a amostra. Por exemplo, iniciamos coletando amostras da superfície. Até os 4,0 m de profundidade, qualquer amostrador (por exemplo, Dual Tube, ou mesmo Single Tube revestido por trados ocos) tem sucesso. A partir daí, começa a acontecer o pre-heave. Então, crava-se o ferramental Piston Sampler fechado até 4,0 m, abre-se e coleta-se amostras de 4,0 a 5,0 metros. Depois de retirada a amostra, crava-se novamente o amostrador fechado até 5,0 metros, abre-se e coleta-se dos 5,0 aos 6,0 m, e assim por diante.
Todas essas modalidades estão disponíveis no Brasil, em mais de uma empresa especializada em prestação de serviços de sondagem ou de investigação. E é aí que o "cão corre atrás do próprio rabo": as consultorias dizem que não conhecem essas alternativas, por isso não utilizam, enquanto as empresas de prestação de serviços dizem que as consultorias nunca pedem as modalidades mais "sofisticadas" de amostragem de solo, por isso não fazem. Essa série de textos tentará desmistificar essa questão.
No próximo texto, falaremos sobre as origens do “dogma”.




sexta-feira, 10 de julho de 2015

ECD ministra aula de campo para alunos do SENAC

A ECD Sondagens Ambientais Ltda, através de seu Diretor Técnico Marcos Tanaka Riyis, ministrou duas aulas práticas sobre Investigação de Áreas Contaminadas para alunos do SENAC.
A primeira delas, em maio/2015, foi para alunos da 2a turma do Curso de Pós Graduação em Remediação de Áreas Contaminadas, dentro da disciplina Técnicas de Investigação para Remediação.
A segunda, em junho/2015, foi para alunos da 14a turma do curso de Pós Graduação em Gerenciamento de Áreas Contaminadas, dentro da disciplina de Técnicas de Investigação, sob a responsabilidade do Professor Ms. Vicente de Aquino Neto.
O objetivo das aulas foi proporcionar aos alunos um contato com algumas ferramentas pouco usuais nas investigações de áreas contaminadas atualmente conduzidas no Brasil, sempre visando uma mudança no paradigma, que coloque a etapa de diagnóstico no centro do processo, e que a identificação da massa de contaminante e sua interação com o meio físico seja o resultado da etapa de investigação, não um "luxo" destinado a projetos especiais.
Dentre as atividades, os alunos puderam ver in loco:
- Amostragem de solo Direct Push Dual Tube, onde o furo de sondagem fica revestido enquanto as amostras são coletadas, minimizando as interferências e contaminação cruzada, que podem acontecer quando se coleta o solo na zona saturara (Eu preciso coletar solo na zona saturada?);
- Amostragem de solo Direct Push Piston Sampler, onde o amostrador fica fechado até a profundidade que se pretende coletar a amostra, garantindo amostra representativa daquela profundidade, mesmo na zona saturada;
- Avaliação do perfil completo: metodologia derivada do Whole Core Soil Sampling, que visa identificar, em alta resolução, os hot spots de contaminantes voláteis em fase retida no perfil vertical;
- Identificação de hidrocarbonetos em fase retida através de equipamento de campo (ver artigo aqui);
- Identificação das zonas de fluxo e armazenamento e das heterogeneidades hidrogeológicas;
- Ensaio RCPTu para identificação das zonas de fluxo e armazenamento em escala de detalhe, concomitantemente com ensaios de dissipação de poro pressão para determinação da condutividade hidráulica nas argilas;
- Coleta de água pontual, via Direct Push, na zona-alvo determinada (esse método pode ser chamado de Hydropunch, Screen Point, Grab Sampling, entre outros), com o objetivo de subsidiar o cálculo de fluxo de massa;
- Instalação de poço pré-montado, com garantia de isolamento da seção filtrante, que tem 35 cm de comprimento;

Com esse leque de atividades, os alunos puderam tomar contato com essas novas técnicas que, se forem corretamente conduzidas, proporcionam uma investigação com melhor qualidade e minimizam os erros nas etapas de remediação. Com mais essa atividade, a ECD continua firme em seu propósito de divulgar e compartilhar conhecimento no segmento de investigação/remediação de áreas contaminadas.











quinta-feira, 7 de maio de 2015

Republicação: Você Tem um MIP? - Parte 2

Olá a todos. Diversos acontecimentos recentes nos obrigaram a republicar essa postagem. Após vencermos a 1a barreira, que foi convencer o mercado que a Investigação de Alta Resolução é melhor que a tradicional, agora temos uma 2a barreira, bem mais complexa: esclarecer o mercado de Áreas Contaminadas que HRSC não é sinônimo de MIP. Para iniciar o debate, gostaríamos de retomar esse texto, publicado há cerca de 1 ano aqui no Blog. Boa leitura

Em dezembro de 2013, publicamos um artigo na revista Pollution Engineering Brasil  e posteriormente uma postagem aqui no Blog falando sobre o Membrane Interface Probe, o famoso MIP.
Hoje, passados 8 meses daquele texto, e depois de muitas conversas que nós da ECD tivemos com diversos profissionais do nosso meio, percebemos que essa dúvida ainda persiste. Muita gente considera o MIP como o "Santo Graal" da Investigação de Áreas Contaminadas. Uma outra parcela, também muito significativa, ainda acredita que usar o MIP é sinônimo de Investigação de Alta Resolução (HRSC). Também há aqueles que são conscientes de algumas limitações, mas, para eles, a informação de posição vertical da maior concentração relativa é suficiente para a elaboração de um adequado modelo conceitual do site. 
Além do que já tratamos no nosso artigo anterior, a nossa presença na Conferência da Battelle em maio/2014 mostrou uma série de particularidades do MIP muito interessantes. É necessário dizer que o MIP é uma ferramenta muito útil, porém, desde que seja utilizada corretamente. 
Isso foi discutido em diversas apresentações, sendo as mais significativas as apresentações do Michael Rossi, e do Seth Pitkin, ambos da Stone Environmental, empresa que utiliza bastante essa ferramenta. Eles disseram basicamente o seguinte:
- O MIP é uma ferramenta qualitativa, não é semi-quantitativa, muito menos quantitativa. São diversas as referências, sendo a mais relevante essa: "Costanza, J., K.D. Pennell, J. Rossabi, B. Riha (2002), Effect of temperature and pressure on the MIP sample collection process, Remediation of Chlorinated and Recalcitrant Compounds - 2002, Paper 1F-08". Não é uma simples questão de semântica, mas isso coloca o MIP no mesmo patamar de um screening de concentrações feito com um PID de campo analisando as amostras no liner, com a vantagem de ser mais rápido, e a desvantagem de não fazer uma correlação do screening com o meio físico. 
- A mesma referência, aliada a essa, diz que variações de temperatura, pressão e a simples presença de SVOC fazem com que os resultados do MIP percam a confiabilidade, o que limita a ação adequada do MIP a locais com temperatura amena, sem muita coluna de água no perfil e sem a presença de compostos semi-voláteis
- Não diferencia a "forma" da concentração detectada: retida, residual, livre ou dissolvida. Normalmente o pico detectado pelo MIP (se a condição anterior tiver sido satisfeita) será onde há maior concentração retida ou residual no solo saturado, e não dissolvida, pois a maior parte da massa (podendo superar 90% quando há grande porcentagem de argila) está ligada ao solo, não à água. Se a ideia é dimensionar uma remediação baseada no pico do MIP, essa estará levando em conta a massa não-móvel. Pior que isso, se esse ponto for escolhido para ser uma zona-alvo de uma coleta de água, também não será representativa, pois não é uma zona de fluxo.
- A principal limitação: o tempo de resposta varia de um composto para outro. Por exemplo, se o tempo de resposta do PCE for de 2 minutos e o de TCE for de 1 minuto, quando o pico aparece, pode ser do TCE naquele ponto ou de PCE 1,20 m acima, o que inviabiliza o uso dessa ferramenta quando há diferentes compostos voláteis
- Para não dizer que foram apresentadas somente limitações, o MIP foi descrito pelos autores como uma excelente ferramenta para um screening inicial em tempo real, e seu uso é tão importante quanto menos se souber a respeito da área a ser investigada. Além disso, seu uso ótimo foi descrito como: altas concentrações de um único composto, sem a presença de NAPL ou SVOC. 

Os autores, bem como muitos outros, enfatizam que a HRSC é a melhor forma de investigação, e precisa ser realizada com foco em 3 questões fundamentais: determinar as heterogeneidades hidrogeológicas, ou seja, conhecer muito bem o meio físico em escala de detalhe; estimar a "massa que se move", através do cálculo de Mass Flux/Mass Discharge, pois essa é a que representa o maior risco; estimar a massa total (lembrando que a maior parte dessa está retida/adsorvida/residual, ligada ao solo) e potencial de Back Diffusion. O MIP, como vimos, não fornece essas informações, embora ajude a consegui-las mais rapidamente. Esses dados são obtidos com amostragens pontuais de solo e água nas camadas corretas, que são determinadas por ferramentas que têm esse objetivo. Uma dessas ferramentas, com eficácia comprovada nessa questão é o piezocone de resistividade (RCPTu).

A apresentação do Michael Rossi pode ser acessada aqui. É um trabalho obrigatório para todos que trabalham com investigação geoambiental de áreas contaminadas.
Em resumo: obviamente o MIP não é o Santo Graal, tampouco é sinônimo de HRSC. Esse artigo tenta esclarecer que o MIP também não é a melhor ferramenta para um screening vertical com o objetivo de definir estratégias de remediação, muito menos para definir o projeto de remediação. Para isso, uma simples amostragem de solo bem feita, na zona saturada, com análise em campo com um bom PID seria melhor e mais barato. O MIP é uma excelente ferramenta para iniciar uma investigação detalhada.
Sobre a pergunta-título, a resposta é:
Não. O que nós fazemos é uma completa investigação de alta resolução.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Aula Prática no Curso de Remediação de Áreas Contaminadas do SENAC

No último mês de abril, a ECD fez uma demonstração prática na aula da 2a turma do curso de Pós Graduação em Remediação de Áreas Contaminadas do SENAC-SP.
A aula, ministrada pelo professor Marcos Tanaka Riyis, Docente do SENAC e Diretor Técnico da ECD, era da disciplina de "Técnicas de Investigação para Remediação".
A aula prática mostrou: técnicas de amostragem de solo Direct Push na zona não saturada e na zona saturada; o protocolo Whole-Core Soil Sampling (WCSS) para amostragem de solo para compostos orgânicos voláteis (VOC) destinada a quantificar a massa retida nas áreas-fonte; o ensaio de piezocone de resitividade (RCPTu) concomitante com dissipação de poro pressão (PPDT); a cravação de hastes Direct Push e ponteira especial para amostragem pontual de água subterrânea (Screen Point Groundwater Sampling ou Direct Push Grab Sampling); instalação de um poço pré-montado especialmente desenhado pela ECD para permitir um adequado isolamento das camadas.
Mais uma vez foi uma experiência muito rica para os alunos, que puderam tomar contato na prática com o estado da arte na investigação para remediação com foco na identificação da massa e da interação massa/meio físico e especialmente para a ECD, que pôde trocar ideias com a "nova geração" da Remediação, que está em busca de mais espaço e reconhecimento no mercado das áreas contaminadas.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

ECD - Retrospectiva 2014

Após falarmos dos nossos 10 anos na postagem anterior, gostaríamos de compartilhar com nossos amigos o que aconteceu conosco nesse ano  que passou.
Foi um ano fraco no sentido econômico, causado, provavelmente, pela baixa expectativa no seu início, devido aos grandes eventos nacionais e internacionais (Copa, Eleições) e que isso iria frear o crescimento econômico e a atividade industrial em 2014. Isso levou as indústrias, especialmente do Estado de São Paulo, a segurarem os investimentos e a fazerem apenas o estritamente necessário no Gerenciamento de Áreas Contaminadas. Do meio para o final do ano, a crise hídrica no nosso estado potencializou essa "marcha lenta" e, como numa profecia que se auto cumpre, o crescimento do país foi baixo, de SP menor ainda, e na indústria paulista, houve resultados muito ruins. Os baixos resultados da indústria paulista, aliado a uma espera generalizada pelo que aconteceria com a CETESB e quais seriam as exigências decorrentes do Decreto 59.263 - o mercado queria ver se a "lei ia pegar" - causaram uma retração importante no mercado das áreas contaminadas e, consequentemente, no faturamento e resultados da ECD.
Porém, de um modo geral, o ano foi excelente. A ECD continuou se desenvolvendo, se diferenciando, explorando novos nichos, produzindo e compartilhando conhecimento, e principalmente, contribuindo com o desenvolvimento do nosso mercado, especialmente com a essencial etapa de investigação. Com tudo isso, conseguimos, ao final de 2014, um reconhecimento muito grande e muito importante por parte do mercado, como uma empresa inovadora e de qualidade, com equipamentos diversificados e pessoal de campo muito bem preparado e capacitado. Os nossos parceiros, de um modo geral, estão muito satisfeitos com a qualidade do nosso trabalho, e isso é uma porta aberta para um 2015 muito promissor.
Vamos à nossa retrospectiva:

- Escrevemos trimestralmente uma coluna na importante revista Pollution Engineering Brasil, mostrando a importância da investigação de áreas contaminadas para a indústria e especificando algumas técnicas e metodologias.

- Logo em janeiro, fizemos mais uma rodada de treinamentos com nossos colaboradores: além das atividades práticas, de campo, e de questões ligadas à Saúde e Segurança, os treinamentos contemplaram uma extensa parte teórica, incluindo noções de Hidrogeologia, Pedologia e Remediação, para que todos eles tenham condição de atuar em conjunto com nossos parceiros, as consultorias ambientais










- Em fevereiro, fomos agraciados com o prêmio de melhor trabalho do IV Simpósio RESID, evento que fez parte do XIV CBGE, em um paper escrito pelos colaboradores da ECD: Marcos Tanaka Riyis, Rafael Muraro Derrite, Mauro Tanaka Riyis e pelo professor da FEB/UNESP, Dr Heraldo Luiz Giacheti. Mais um motivo de imenso orgulho por parte da ECD, mostrando que a produção e compartilhamento de conhecimento é um excelente caminho.

- O Diretor Técnico Marcos Tanaka Riyis foi convidado, em março, a fazer parte do corpo docente do curso de Pós Graduação em Remediação de Áreas Contaminadas do SENAC. Posteriormente, em junho, passou a fazer parte do corpo docente do curso de Gerenciamento de Áreas Contaminadas na mesma instituição. Isso é um motivo de muito orgulho para nós da ECD, pois os alunos desse curso são profissionais experientes e renomados no mercado de áreas contaminadas e ser convidado para lecionar para esse público é um sinal de que a ECD está no caminho certo com suas pesquisas e desenvolvimento.



- A ECD fez, em abril, uma apresentação na aula prática da disciplina Técnicas de Investigação para Remediação do curso do SENAC, com muito sucesso, pois pôde demonstrar na prática uma série de metodologias e tecnologias muito importantes para um adequado diagnóstico de uma área contaminada. Mostramos: amostragem de solo Single Tube x Dual Tube; amostragem de solo Piston Sampler; Ensaio RCPTu; Ensaio PPDT; Direct Push Slug Test (DPST); amostragem de água Direct Push, além de um estudo aplicado sobre definição das camadas preferenciais de fluxo.







- No início de maio, em seu tour pelos EUA, a ECD apresentou um trabalho na maior conferência sobre Cone Penetration Test (CPT) do mundo, a CPT'14, em Las Vegas. Lembrando que a ECD adquiriu o equipamento no final de 2011, e adaptou sua aplicação, idealizada para os estudos de fundação, para o estudo das zonas preferenciais de fluxo e zonas preferenciais de armazenamento de contaminantes. Essa adaptação rendeu muitos frutos, um deles, o aceite, apenas 2 anos depois, de um trabalho para o maior Congresso do mundo sobre o tema, mostrando que os resultados do uso do RCPTu para a Investigação de Áreas Contaminadas estão sendo muito positivos.



- Também no mês de maio, foi a vez da ECD apresentar 2 trabalhos no maior e mais importante Congresso de Remediação de Áreas Contaminadas do mundo: A Conferência Chlorcon, da Battelle, na sua versão 2014. Em mais um motivo de muito orgulho para a ECD, tivemos 2 trabalhos aprovados nesse importantíssimo evento. Para nós foi particularmente interessante, pois, além da apresentação em si, pudemos fazer um curso pré-evento de altíssimo nível, e estreitar nosso relacionamento com nossos parceiros brasileiros que lá estavam (AECOM, Angel, Arcadis, CGA, CH2M Hill, Clean, Edutech, ERM, Geoklock, Servmar, SGWS, Tratch Mundi, Tecnohidro, Waterloo, entre outros) e também parceiros internacionais, que foram ouvir nossas apresentações e trocar ideias e projetos. Portanto, nossa 1a participação na Battelle foi apresentando trabalhos!!!!!







- No mês de junho, nova apresentação no SENAC, desta vez na aula de Técnicas de Investigação, para o curso de Pós Graduação em Gerenciamento de Áreas Contaminadas, ministrada pelo professor Vicente de Aquino Neto. Desta feita, o objetivo era mostrar técnicas de investigação inovadoras, como instalação de poço pré montado, amostragem de solo Piston Sampler, amostragem de água Direct Push, ensaio RCPTu.






- Em julho, foi a vez de apresentarmos os trabalhos da ECD na Unicamp, no curso de Extensão em Investigação Geoambiental, a convite da Professora Doutora Miriam Miguel e do Professor Paulo Negrão. Apresentamos aos alunos técnicas de amostragem de solo e ensaio RCPTu, com bastante sucesso





- Durante o ano de 2014, submetemos alguns artigos para algumas revistas científicas. O 1o deles a ser aceito e publicado é esse, disponível na RBGEA, Revista Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental, de autoria de Marcos Tanaka Riyis, Rafael Muraro Derrite, Mauro Tanaka Riyis e Heraldo Luiz Giacheti. Mais um motivo de orgulho para nós nesse ano de 2014, onde, mais uma vez, pudemos contribuir para a construção e solidificação do conhecimento científico em Investigação Geoambiental de Áreas Contaminadas.

- Outro evento muito importante que a ECD conseguiu aprovar um trabalho, desta feita como apresentação oral, é o Seminário Internacional de Remediação, promovido pelo instituto Ekos Brasil. Esse é o mais importante evento de Áreas Contaminadas do país, e a ECD esteve presente, revendo os amigos, conversando com os parceiros, trocando ideias e expondo seus trabalhos para o público especializado.





- A ECD foi, também em 2014, convidada a fazer treinamentos com as equipes técnicas de algumas consultorias, que desejavam conhecer melhor os trabalhos de Investigação de Alta Resolução (HRSC). A ECD ministrou esses treinamentos, alguns teóricos, outros práticos para seus parceiros visando fornecer subsídios para esses parceiros incorporarem os princípios da HRSC e visando estreitar os laços entre os parceiros.

- Por fim, no final de 2014, a ECD recebeu o aceite de mais um trabalho: uma apresentação oral no Groundwater Summit, em San Antonio, TX, um evento promovido pela NGWA, a maior associação de águas subterrâneas do mundo. A ECD expandindo as fronteiras e mostrando o seu trabalho inovador para os profissionais do mundo inteiro que estarão em San Antonio, em março/2015. O resumo pode ser visto aqui.

Em resumo, embora economicamente tenha sido um ano ruim, ele foi excelente em linhas gerais, com muita coisa boa acontecendo para a ECD. Esperamos que, em 2015, seja ainda melhor!!!!

Obrigado aos leitores, colaboradores, fornecedores e parceiros nessa jornada. Esperamos que nossa contribuição tenha ajudado o mercado a melhorar sua qualidade e, consequentemente, proteger o Meio Ambiente de todos nós